Existem conceitos e atitudes que temos como certos. Sabemos que, de forma alguma, faríamos ou sentiríamos diferente. Então, um dia, alguém chega, e de alguma forma, o que seria imutável _incrível_ mudou.
Experimentamos então um mundo de emoções, e emoção é coisa que parece estar guardada numa espécie de caixinha mágica, que, apesar de ser bem pequenina, é capaz de guardar grandes e fortes sentimentos. Uma caixinha que a gente, quando criança, deixa à vista, sem preocupação alguma, e, conforme vai crescendo, vai aprendendo a camuflar, a esconder, com intenção de evitar dor.
De qualquer forma, demonstrar sentimentos é e sempre será muito complicado: jamais se sabe o quanto mostrar; como o objeto de nosso interesse vai reagir; se ele, ou ela, deseja ou não aquilo que, de repente, escapou por nossos lábios, ou pelo nosso olhar.
Esta caixinha, escondida num cantinho escuro do coração, quando aberta, atira-nos num mundo de sensações, sejam elas boas ou ruins, de lágrimas (embora homens não chorem, e mulheres tenham horror a borrar a maquiagem) ou de puro êxtase, como se adolescentes ou crianças ainda fôssemos. Isto, dá medo. E o medo, com o tempo, nos ensina a endurecer.
As pessoas _ veja você_ endurecem! Amargam, como doce velho, quando preferem a solidão à busca, o silêncio à tentativa. Então, por falta de ousadia, ou de autoestima, aprendem a conviver com os sonhos, porque sonhar não expõe, sonhar não dói.
Esquecemos, entretanto, que sonhos não passam de nuvens, que se vão com o vento. "Sonhar não custa nada", diz o poeta. Pois eu digo: tentar também não! Melhor a dor da perda, o constrangimento da negativa, que a covardia que pode nos roubar momentos de extrema felicidade e instalar dúvidas, que para sempre habitarão nossos pensamentos: será que daria certo? Como eu estaria hoje?
Pegue, então, sua caixinha mágica, lá naquele cantinho, cheinha de sonhos e planos já meio empoeirados, respire fundo... e mergulhe dentro dela. Deixe que alguma coisa aconteça!
O resultado, seja o sorriso, seja o pranto, com certeza, será melhor que perceber, no espelho, o tempo passando, enquanto a vida segue segura, mas sem cor, sem sabor.
Viver não é esconder-se debaixo das pedras, mas, voar... velejar... arriscar... expor seu oceano interior.
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segunda-feira, abril 19, 2010
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